Origem e primeiros moradores
Registros do IBGE apontam que os primeiros moradores a se instalarem de fato no município foram João Camilo Barbosa e Manoel Alexandre Hening, que chegaram às margens do rio Jaguaricatú por volta de 1893, atraídos pelo solo fértil e pelas riquezas naturais da região.
Com o tempo, iniciaram a plantação de milho e a criação de gado e suínos. O rio Jaguaricatú teve papel importante nesse processo, servindo como ponto de referência para tropeiros, pioneiros e moradores que enxergaram ali uma possibilidade de futuro.
A movimentação de tropas muares, vindas do Rio Grande do Sul com destino a São Paulo, ajudou no surgimento de estabelecimentos comerciais, entre eles o do senhor Joaquim Ferreira Lobo, que contribuiu para a formação do povoado.
Das tribos, tropas, trilhos e toras
Sengés já foi berço de povos indígenas das etnias Kaingang, Guarani e Xetá. Seu processo de colonização teve ligação com o ciclo do gado e com o Caminho das Tropas, rota que integrava o Sul do Brasil à Província de São Paulo.
Ao longo desse caminho, tropeiros, viajantes, exploradores e naturalistas passaram pela região. O artista Jean Baptiste Debret registrou paisagens relacionadas ao rio Jaguarycatú e aos limites entre as antigas províncias de São Paulo e Curitiba.
A chegada da estrada de ferro
Em 1908 foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande, mais tarde denominada Rede Ferroviária Federal S/A. Com a ferrovia veio a estação, batizada de “Sengés” em homenagem ao engenheiro Gastão Alberto Sengés, responsável pelo trecho ferroviário.
Os trilhos trouxeram progresso. Novos moradores chegaram e serrarias foram instaladas para explorar a grande quantidade de pinheiros existentes na região. Em 1910, com o crescimento do povoado, foi instalada a Coletoria Estadual, atualmente conhecida como Agência de Rendas.
Distrito de Jaguaricatú
Em 24 de dezembro de 1915 foi criado o Distrito Policial. Em 30 de março de 1917, pela Lei Estadual nº 1.709, o local foi elevado a Distrito Judiciário com o nome de Jaguaricatú, expressão de origem Tupi-Guarani que significa “rio bom das onças”.
Na década de 1920, Ambrósio Jorge teve participação importante no movimento para obter terras destinadas à instalação da vila, fortalecendo o desenvolvimento urbano e administrativo do futuro município.
Sengés na Revolução de 1930
Por estar localizada na divisa entre Paraná e São Paulo e ser cortada por uma importante via terrestre e ferroviária, Sengés teve papel marcante na Revolução de 1930. A então vila tornou-se cenário de combates entre tropas revolucionárias e forças paulistas.
Há registros de trincheiras próximas à estação ferroviária, ataques aéreos realizados pelo avião conhecido como “Vermelhinho Paulista” e uso do templo da Igreja Presbiteriana como hospital de emergência para atendimento aos feridos.
Um dos combates mais marcantes ocorreu em 23 de outubro de 1930, quando morreu o coronel Izaltino Pinho. No dia seguinte, com o fim da revolução, as tropas se retiraram, deixando sinais de destruição no povoado.
Emancipação política
Em 8 de fevereiro de 1934, o Distrito Judiciário de Jaguaricatú foi elevado à categoria de município, passando a se chamar Sengés, estendendo a homenagem feita anteriormente ao engenheiro Gastão Alberto Sengés.
Em 28 de fevereiro de 1934 foi nomeado o primeiro prefeito, Durval Jorge. A instalação oficial do município ocorreu em 1º de março de 1934, data considerada o Dia do Município.
Em 1944 Sengés foi elevada a Termo Judiciário e, em 1949, à Comarca de Primeira Instância.
Sengés hoje
Atualmente, Sengés é conhecida como polo turístico e madeireiro. Cercado por belezas naturais, o município recebe visitantes em busca de cachoeiras, paisagens, trilhas e contato com a natureza.
Com história forte, tradição e um povo acolhedor, Sengés preserva sua memória e segue valorizando suas riquezas naturais, culturais e econômicas.
