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Cidade de Sengés - PR

Sengés: história, natureza e tradição

Conheça a trajetória do município, marcada pelos povos originários, tropeirismo, estrada de ferro, Revolução de 1930 e pelas riquezas naturais que fazem de Sengés um polo turístico e madeireiro da região.

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Cachoeira do Corisco em Sengés
Cachoeira do Corisco – Sengés (PR)

Origem e primeiros moradores

Registros do IBGE apontam que os primeiros moradores a se instalarem de fato no município foram João Camilo Barbosa e Manoel Alexandre Hening, que chegaram às margens do rio Jaguaricatú por volta de 1893, atraídos pelo solo fértil e pelas riquezas naturais da região.

Com o tempo, iniciaram a plantação de milho e a criação de gado e suínos. O rio Jaguaricatú teve papel importante nesse processo, servindo como ponto de referência para tropeiros, pioneiros e moradores que enxergaram ali uma possibilidade de futuro.

A movimentação de tropas muares, vindas do Rio Grande do Sul com destino a São Paulo, ajudou no surgimento de estabelecimentos comerciais, entre eles o do senhor Joaquim Ferreira Lobo, que contribuiu para a formação do povoado.

Das tribos, tropas, trilhos e toras

Sengés já foi berço de povos indígenas das etnias Kaingang, Guarani e Xetá. Seu processo de colonização teve ligação com o ciclo do gado e com o Caminho das Tropas, rota que integrava o Sul do Brasil à Província de São Paulo.

Ao longo desse caminho, tropeiros, viajantes, exploradores e naturalistas passaram pela região. O artista Jean Baptiste Debret registrou paisagens relacionadas ao rio Jaguarycatú e aos limites entre as antigas províncias de São Paulo e Curitiba.

A chegada da estrada de ferro

Em 1908 foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande, mais tarde denominada Rede Ferroviária Federal S/A. Com a ferrovia veio a estação, batizada de “Sengés” em homenagem ao engenheiro Gastão Alberto Sengés, responsável pelo trecho ferroviário.

Os trilhos trouxeram progresso. Novos moradores chegaram e serrarias foram instaladas para explorar a grande quantidade de pinheiros existentes na região. Em 1910, com o crescimento do povoado, foi instalada a Coletoria Estadual, atualmente conhecida como Agência de Rendas.

Distrito de Jaguaricatú

Em 24 de dezembro de 1915 foi criado o Distrito Policial. Em 30 de março de 1917, pela Lei Estadual nº 1.709, o local foi elevado a Distrito Judiciário com o nome de Jaguaricatú, expressão de origem Tupi-Guarani que significa “rio bom das onças”.

Na década de 1920, Ambrósio Jorge teve participação importante no movimento para obter terras destinadas à instalação da vila, fortalecendo o desenvolvimento urbano e administrativo do futuro município.

Sengés na Revolução de 1930

Por estar localizada na divisa entre Paraná e São Paulo e ser cortada por uma importante via terrestre e ferroviária, Sengés teve papel marcante na Revolução de 1930. A então vila tornou-se cenário de combates entre tropas revolucionárias e forças paulistas.

Há registros de trincheiras próximas à estação ferroviária, ataques aéreos realizados pelo avião conhecido como “Vermelhinho Paulista” e uso do templo da Igreja Presbiteriana como hospital de emergência para atendimento aos feridos.

Um dos combates mais marcantes ocorreu em 23 de outubro de 1930, quando morreu o coronel Izaltino Pinho. No dia seguinte, com o fim da revolução, as tropas se retiraram, deixando sinais de destruição no povoado.

Emancipação política

Em 8 de fevereiro de 1934, o Distrito Judiciário de Jaguaricatú foi elevado à categoria de município, passando a se chamar Sengés, estendendo a homenagem feita anteriormente ao engenheiro Gastão Alberto Sengés.

Em 28 de fevereiro de 1934 foi nomeado o primeiro prefeito, Durval Jorge. A instalação oficial do município ocorreu em 1º de março de 1934, data considerada o Dia do Município.

Em 1944 Sengés foi elevada a Termo Judiciário e, em 1949, à Comarca de Primeira Instância.

Sengés hoje

Atualmente, Sengés é conhecida como polo turístico e madeireiro. Cercado por belezas naturais, o município recebe visitantes em busca de cachoeiras, paisagens, trilhas e contato com a natureza.

Com história forte, tradição e um povo acolhedor, Sengés preserva sua memória e segue valorizando suas riquezas naturais, culturais e econômicas.